Dr. Wilson Aguiar Urologia Urologista

Robótica

A+ | A-

Desde os anos 80 pesquisadores tentam desenvolver sistemas robóticos que auxiliem em procedimentos cirúrgicos, porém só recentemente um desses dispositivos se mostrou realmente um avanço útil e pôde ser utilizado em larga escala.

 

O da Vinci é um sistema produzido por uma empresa americana chamada Intuitive e que é composto por 4 braços mecânicos controlados pelo cirurgião. Um desses braços controla a câmera e os outros 3 realizam a cirurgia propriamente dita. Esses braços são introduzidos no paciente através de pequenos orifícios idênticos àqueles utilizados na laparoscopia convencional.




Mas então, qual é a vantagem desse sistema em relação à laparoscopia, se o conceito é basicamente o mesmo?

A resposta está em duas características especiais desse sistema. Primeiro, a imagem é formada por uma câmera binocular, o que confere ao cirurgião uma visão tridimensional da região explorada. Segundo, e mais importante, os braços do robô são articulados, permitindo reproduzir de forma completa os movimentos realizados pela mão do cirurgião. Dessa forma, conseguiu-se finalmente unir as vantagens da cirurgia aberta (destreza e facilidade técnica) com as da cirurgia laparoscópica (incisões muito menores, menor dor no pós-operatório, menor período de internação e retorno mais rápido às atividades).

 

O da Vinci tem sido utilizado por várias especialidades cirúrgicas, porém a Urologia é uma das áreas de maior aplicação, principalmente em cirurgias renais e prostáticas. Isso se deve ao fato de que as cirurgias reconstrutivas urológicas são extremamente trabalhosas e complexas tecnicamente, o que dificulta que sejam realizadas por laparoscopia convencional. Com o “movimento de punho” do robô, associado à visão tridimensional, tornou-se possível reproduzir toda a técnica da cirurgia clássica aberta, porém com as vantagens já descritas acima.

 

No caso de cirurgias para câncer de próstata, existe uma vantagem teórica adicional, como existe magnificação de 10 vezes na imagem, é possível se identificar melhor os nervos que são responsáveis pela ereção, diminuindo a chance de impotência sexual.

 

Até o fim de 2010 houve um aumento brutal do numero desses procedimentos nos Estados Unidos, sendo que 80% de todas as cirurgias para câncer de próstata naquele país foram realizadas por via robótica. É importante notar que ainda não existem trabalhos científicos controlados mostrando a real superioridade das cirurgias robóticas. Na verdade, uma grande revisão publicada recentemente em uma revista médica de grande credibilidade (JAMA) mostrou que as cirurgias robóticas oferecem um resultado pior que a cirurgia convencional em relação à potência sexual e à continência, provando que talvez a grande preferência dos pacientes pelo método seja apenas resultado de uma grande estratégia de marketing.

 

De qualquer forma, fica claro que mais importante do que escolher qual a técnica a ser utilizada, é escolher bem o seu médico urologista.